Um relatório global de cibersegurança divulgado em maio de 2026 por consórcio de agências de segurança digital de 34 países confirma o que analistas temiam: tentativas de invasão a infraestruturas críticas — energia elétrica, abastecimento de água, saúde e telecomunicações — cresceram 40% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025.
Setores mais visados
O setor de saúde liderou o ranking de alvos, seguido por fornecedoras de energia e operadoras de telecomunicações. Hospitais e laboratórios são especialmente vulneráveis porque dependem de sistemas legados — softwares e hardware antigos que raramente recebem atualizações de segurança — e, ao mesmo tempo, não podem interromper operações para aplicar patches críticos sem risco à vida dos pacientes.
- Saúde: 34% dos incidentes registrados
- Energia e utilities: 27%
- Telecomunicações: 18%
- Finanças e bancário: 12%
- Outros setores: 9%
Os vetores de ataque mais comuns
Phishing continua sendo a porta de entrada mais comum, responsável por 52% das invasões bem-sucedidas. Em segundo lugar aparecem vulnerabilidades em softwares de acesso remoto — VPNs corporativas e ferramentas de gestão de infraestrutura — que muitas organizações não atualizam com frequência suficiente.
Ransomware-as-a-Service (RaaS) ganhou nova dimensão em 2026 com a adoção de modelos de linguagem para geração de e-mails de phishing ultrapersonalizados, aumentando significativamente a taxa de cliques em links maliciosos.
Resposta dos governos
A União Europeia acelerou a implementação da diretiva NIS2, que obriga empresas de setores críticos a reportar incidentes em até 24 horas e a manter planos de continuidade testados periodicamente. Nos Estados Unidos, a CISA ampliou o programa de avaliação de vulnerabilidades gratuito para operadores de infraestrutura crítica.
No Brasil, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) anunciou a criação de um Centro Nacional de Resposta a Incidentes Cibernéticos com atuação 24/7, previsto para entrar em operação plena no segundo semestre de 2026.
Recomendações para organizações
- Implementar autenticação multifator em todos os acessos privilegiados
- Segmentar redes operacionais (OT) das redes corporativas (IT)
- Realizar simulações de ataque (red team) pelo menos duas vezes ao ano
- Manter inventário atualizado de todos os ativos expostos à internet
- Treinar equipes regularmente para identificar tentativas de phishing