ANPD Aplica Primeiras Multas Milionárias sob Novo Regulamento da LGPD em 2026

Publicado em 28 de abril de 2026 · Categoria: Privacidade

Proteção de dados e regulamentação LGPD em 2026

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) anunciou em abril de 2026 a aplicação das primeiras multas de grande porte sob o regulamento de dosimetria revisado da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As penalidades, que somam mais de R$ 50 milhões distribuídas entre seis empresas, marcam uma virada na postura regulatória brasileira de dados pessoais.

O que mudou no regulamento de 2026

O novo regulamento de dosimetria, publicado no final de 2025 e em vigor desde janeiro de 2026, estabeleceu critérios mais claros e mais rígidos para o cálculo das multas. A sanção máxima prevista na LGPD — 2% do faturamento bruto da empresa no Brasil, limitado a R$ 50 milhões por infração — passou a ser aplicada com mais frequência a infrações graves ou reincidentes.

As principais mudanças incluem:

  • Peso maior para infrações que afetam dados sensíveis (saúde, biometria, orientação sexual)
  • Agravante automático em caso de reincidência ou descaso com notificações anteriores
  • Possibilidade de mulha diária em caso de descumprimento de prazo para adequação
  • Publicização obrigatória das decisões sancionatórias no site da ANPD

Quais infrações foram punidas

Sem divulgar os nomes das empresas enquanto os recursos administrativos estão em curso, a ANPD detalhou as categorias de infração que motivaram as multas:

  • Compartilhamento indevido de dados com terceiros sem base legal ou consentimento
  • Ausência de registro de operações de tratamento de dados (ROPA)
  • Não atendimento a solicitações de titulares dentro do prazo de 15 dias
  • Falta de comunicação de vazamento à ANPD e aos titulares afetados

Impacto para empresas brasileiras

Consultores de privacidade ouvidos pelo TechSoftCode relatam aumento expressivo na procura por serviços de adequação à LGPD desde o anúncio. Empresas de médio porte, que até então tratavam a conformidade como item de segundo plano, estão acelerando a contratação de encarregados de proteção de dados (DPO) e a revisão de contratos com fornecedores.

"O sinal que a ANPD emitiu é inequívoco: o período de tolerância acabou. Quem ainda não investiu em adequação está correndo um risco real de negócio", afirma consultora especializada em privacidade e proteção de dados.

Próximos passos da ANPD

A autoridade sinalizou que o segundo semestre de 2026 terá foco especial em plataformas de saúde digital, fintechs e empresas de varejo que operam programas de fidelidade com coleta massiva de dados comportamentais. Fiscalizações temáticas já foram anunciadas para esses segmentos.

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